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Mal de altitude em Cusco: minha história pessoal

Mal de altitude em Cusco: minha história pessoal

Começou no segundo dia

O primeiro dia em Cusco tinha sido administrável. Uma dor de cabeça surda, um cansaço fora do comum, nada dramático — atribuí ao voo e à diferença de fuso horário e me convenci de que a aclimatação estava indo bem. Meu companheiro de viagem estava bem. Tínhamos chegado em horários semelhantes, ficado no mesmo hotel, comido as mesmas refeições.

Na manhã do segundo dia acordei com uma dor de cabeça categoricamente diferente da do dia anterior. Atrás dos olhos, irradiando para fora, piorando quando eu movia a cabeça rápido, agravada pela pouca luz da manhã. Sentia um leve enjoo. Quando me levantei depressa demais, o quarto pareceu se mover por um momento.

Era mal de altitude. Não a versão grave, que exige hospitalização, mas mais do que a leve dor de cabeça de adaptação que a maioria das pessoas experimenta e ignora. Me manteve na cama durante a maior parte de um dia que eu havia planejado passar em Sacsayhuamán. Este é meu relato do que aconteceu, o que fiz e o que eu faria diferente.

O que estava acontecendo no meu corpo

A 3.400 metros, o ar de Cusco contém cerca de 65% da densidade de oxigênio do nível do mar. O organismo reage a essa redução de oxigênio respirando mais rápido, produzindo mais glóbulos vermelhos ao longo do tempo e aumentando a pressão arterial para bombear mais sangue pelo sistema. Essas são adaptações normais e saudáveis.

O mal de altitude — mal agudo de montanha (MAM) na terminologia médica — ocorre quando a adaptação do corpo é superada pela velocidade de ascensão ou pela altitude atingida. O cérebro e os tecidos ao redor podem inchar levemente em resposta à redução de oxigênio. É isso que causa a característica dor de cabeça, o enjoo e a desorientação.

A maioria dos casos de MAM em Cusco é leve a moderada — tratável com descanso, hidratação e tempo. Casos graves envolvendo edema pulmonar (líquido nos pulmões) ou edema cerebral são medicamente sérios e exigem descida imediata e evacuação. Não tive nenhum desses. Mas os menciono porque a internet às vezes trata o mal de altitude de forma leviana, o que não ajuda quem viaja a Cusco pela primeira vez.

O guia completo sobre mal de altitude cobre os detalhes médicos adequadamente, incluindo os sinais de alerta de doença grave que exigem mais do que descanso e ibuprofeno.

O que fiz (e se ajudou)

Tomei ibuprofeno. É o conselho padrão e funcionou — a dor de cabeça baixou de sete para quatro em qualquer escala subjetiva que esses números representem. Fiquei imóvel, o que manteve o enjoo administrável. Bebi água constantemente durante a manhã — mais do que parecia natural, mais do que a sede pedia. O hotel mandou chá de coca duas vezes, que eu bebi sem muita fé no efeito farmacológico, mas sem energia para argumentar.

No início da tarde me senti bem o suficiente para sentar no pátio. À noite já conseguia comer uma refeição pequena. Na manhã seguinte estava recuperado a aproximadamente 90% — funcional, dor de cabeça administrável, sem enjoo. No dia seguinte me sentia completamente normal.

O que mais ajudou, em ordem: descanso, ibuprofeno, hidratação. Sobre o chá de coca, tenho sincera dúvida. O guia do chá de coca explica a química real — o teor de alcaloides em uma xícara de mate de coca é baixo e o mecanismo pelo qual poderia ajudar não está totalmente estabelecido. Pode ajudar por um leve efeito estimulante na respiração; pode ajudar porque líquido quente e repouso são benéficos independentemente do chá específico; pode ser placebo. Bebi mesmo assim.

O que não fiz e deveria ter feito: não tomei acetazolamida (Diamox) antes de chegar. O Diamox é um medicamento prescrito que reduz o risco e a gravidade do mal de altitude ao estimular uma aclimatação mais rápida; tomado 24 horas antes da ascensão, é bem fundamentado por evidências clínicas. Tinha lido sobre ele, decidi que estava «provavelmente bem» e não consultei um médico antes de viajar. Foi uma decisão ruim. Uma consulta de 20 minutos com um especialista em medicina de viagem antes do voo teria resultado em uma prescrição de Diamox e, muito provavelmente, em um segundo dia completo em Cusco em vez de um dia deitado.

O que meu companheiro de viagem fez certo

Meu companheiro havia tomado Diamox. Teve uma leve dor de cabeça no primeiro dia e nada depois disso. Visitou Sacsayhuamán sem mim, relatou que era extraordinário e me mostrou fotografias que eu olhei da cama com uma mistura de admiração e arrependimento.

Ele também havia, antes de chegar, estudado a aclimatação a sério e seguido as recomendações: sem álcool por 48 horas, refeições leves no dia da chegada, dormir cedo, atenção à frequência respiratória. Havia lido o mesmo material que eu e tomado a decisão de seguir os conselhos. Eu li o mesmo material e decidi que era exagerado para um adulto saudável. Não era exagerado.

O contexto específico de Cusco

Uma coisa importante de entender sobre Cusco é que a altitude afeta as pessoas de forma imprevisível e sem relação clara com a forma física. Corredores de maratona em excelente forma às vezes sofrem MAM mais grave do que trabalhadores sedentários de escritório. Tolerância prévia em altitudes menores não garante tolerância a 3.400 metros. Bom desempenho em visitas anteriores a Cusco não garante o mesmo em uma nova visita.

O guia de planejamento de aclimatação recomenda, entre outras coisas, chegar a Cusco dois a três dias antes de qualquer atividade extenuante — trekking, excursões de um dia a grandes altitudes como a Rainbow Mountain a 5.200 metros ou a Trilha Inca. Essa margem existe por uma boa razão. Cheguei um dia antes da minha visita planejada a Sacsayhuamán. Não foi margem suficiente.

Há também um ponto mais difícil sobre a indústria de turismo em Cusco. Algumas agências não são rigorosas na triagem prévia de participantes para condições relacionadas à altitude, e algumas vendem pacotes de trekking para pessoas que não se aclimataram de forma alguma. O guia sobre golpes de medicina de altitude trata do outro lado disso — vendedores perto da Plaza que vendem «remédios para altitude» caros e de valor duvidoso. A posição honesta é: uma consulta médica real antes de viajar vale mais do que qualquer suplemento vendido em uma farmácia em San Blas.

O que eu diria a alguém planejando sua primeira visita

Consulte um médico de viagem ou seu clínico geral pelo menos seis semanas antes da viagem e discuta o Diamox. Não é para todos — há contraindicações — mas a conversa vale a pena. Não se exclua dela presumindo que mal de altitude é algo que acontece com os outros.

Chegue a Cusco pelo menos dois dias antes de planejar qualquer coisa fisicamente exigente. Se puder chegar três ou quatro dias antes, melhor ainda. O Vale Sagrado a 2.800 metros é uma opção de aclimatação em altitude mais baixa — alguns viajantes vão para lá antes de Cusco e acham significativamente mais fácil.

Não beba álcool nas primeiras 48 horas. Esse não é um conselho cauteloso destinado a pessoas frágeis — é um conselho prático que vai determinar se sua primeira semana no Peru será agradável ou não.

Descanse quando precisar descansar. A altitude não é algo para se provar nada. Perdi um dia por teimosia e má preparação. O dia em que me recuperei foi bom; a tarde que perdi não tem como recuperar. Essas são as apostas, e são modestas o suficiente para que as precauções valham completamente a pena.

A viagem completa que se seguiu — a Trilha Inca, o Vale Sagrado, Machu Picchu, Rainbow Mountain — foi uma das melhores que já fiz. O mal de altitude foi um contratempo administrável que causei por não me preparar adequadamente. Essa é a versão honesta da história.