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Arequipa a partir de Cusco — valeu a pena o desvio de quatro dias?

Arequipa a partir de Cusco — valeu a pena o desvio de quatro dias?

A cidade que quase todo mundo pula

Quando se conta que vai a Arequipa, a reação habitual dos companheiros de viagem no circuito padrão de Cusco é um «ah, você vai fazer Arequipa?» levemente surpreso — como se fosse uma escolha incomum, um desvio do evento principal. O evento principal sendo Cusco, Machu Picchu, talvez a Rainbow Mountain, possivelmente o Lago Titicaca.

Arequipa não é um desvio. É um destino completamente diferente, e os quatro dias que passei lá em maio de 2024 — dois na cidade, dois para o Cânion del Colca — foram alguns dos mais fortes de uma viagem de dez dias pelo Peru.

Deixa eu apresentar os argumentos para o desvio.

De Cusco a Arequipa

O ônibus noturno é a opção clássica e genuinamente razoável. O semi-cama da Cruz del Sur (assento reclinável, cerca de 155 graus) do terminal de ônibus de Cusco a Arequipa leva 9–10 horas, parte tipicamente entre 20h e 21h e chega entre 5h e 7h. Custo: S/90–130. A estrada cruza o altiplano elevado, passa por pequenas cidades e te deixa no terminal de Arequipa de madrugada, com um dia inteiro pela frente.

Peguei o ônibus das 21h, dormi razoavelmente bem (leve um travesseiro de pescoço e o cobertor que fornecem é adequado, mas fino) e cheguei às 6h15. O terminal fica a 3 km do centro histórico — um táxi custa S/15 de taxa fixa.

A opção de avião existe (45 minutos, S/200–350 dependendo do horário), mas o ônibus noturno economiza tanto dinheiro quanto um dia de deslocamento, o que o torna a melhor escolha para a maioria dos viajantes independentes. O guia de transporte de Cusco a Arequipa cobre as duas opções com preços.

Arequipa: a própria cidade

Arequipa é chamada de Cidade Branca porque seu centro histórico é construído quase inteiramente com sillar — uma pedra vulcânica branca local extraída dos vulcões ao redor. O resultado é uma paisagem urbana diferente de qualquer outra cidade peruana: fachadas brancas, detalhes barrocos esculpidos, o grande cone vulcânico do El Misti (5.822 m) pairando diretamente sobre o horizonte leste. Numa manhã clara, o efeito visual é genuinamente impressionante.

A Plaza de Armas é sem dúvida a praça colonial mais bonita do Peru — mais harmoniosa nas proporções do que a Plaza de Cusco, e a fachada de sillar da catedral pega a luz da manhã de forma extraordinária. Cheguei cedo o suficiente para fotografá-la antes da chegada dos grupos de turismo.

O Monasterio de Santa Catalina é a principal atração de Arequipa — um convento em funcionamento que ocupa aproximadamente um quarteirão inteiro, com um interior labiríntico de ruas, claustros, celas e espaços comunitários que funcionou como uma cidade dentro da cidade para as freiras dominicanas enclausuradas desde o século XVI. As irmãs (membros modernos da ordem ainda vivem numa seção separada) abriram o complexo histórico ao público em 1970. Percorrê-lo leva duas a três horas; as cores — os vermelhos profundos, azuis e terracota das paredes dos claustros — são extraordinárias.

O ceviche e outros pratos de influência costeira em Arequipa também são notavelmente excelentes. Arequipa se considera distinta da tradição culinária de Lima, com seus próprios pratos regionais — o rocoto relleno (pimenta picante recheada) e o adobo arequipeño (prato de carne de porco cozida lentamente) são inegociáveis. Comi muito bem e mais barato do que em Cusco.

O tour de dois dias ao Cânion del Colca

O tour parte de Arequipa às 3h da manhã (hora desumana) para a viagem de 3,5 horas até o cânion. A estrada sobe pela Reserva Nacional Salinas y Aguada Blanca — 4.800 m, onde voltei a ter sintomas de altitude apesar de estar numa altitude base menor do que em Cusco. A altitude no passo não é brincadeira.

Chivay, a principal cidade do vale, fica a 3.600 m e é a parada para pernoite. As termas de La Calera ficam a 4 km da cidade — uma série de piscinas geotermais a 38–40°C, puro prazer depois de um dia de ar frio de montanha. Estava na água às 17h e não queria sair.

O mirante Cruz del Condor na manhã seguinte: escrevi sobre isso separadamente com mais detalhes, mas a versão condensada é que ver condores andinos — as maiores aves voadoras do mundo — subindo em termais acima de um cânion mais profundo que o Grand Canyon, ao amanhecer, com os Andes bolivianos visíveis no horizonte, é uma das experiências definitivas de fauna selvagem que já tive em qualquer lugar.

Reserve o tour de 2 dias ao Cânion del Colca a partir de Arequipa — transporte, acomodação em Chivay, todas as refeições e a visita guiada ao amanhecer para ver os condores estão incluídos. A qualidade dos guias varia consideravelmente entre os operadores; os melhores têm formação em ciências naturais e conseguem identificar condores individuais pelo padrão das asas.

A diferença de altitude

Uma coisa a considerar no planejamento: Arequipa a 2.335 m parece genuinamente diferente de Cusco a 3.400 m. Depois de uma semana em Cusco estava aclimatado, e chegar a Arequipa pareceu que respirar ficou ligeiramente mais fácil. A cidade é mais relaxante para caminhar e mais fácil de curtir com energia porque o corpo não está trabalhando contra a altitude.

Isso importa para a viagem ao Colca porque o tour cruza 4.800 m no caminho, que é mais alto do que você esteve em Arequipa — a resposta à altitude pode pegar você de surpresa se você tiver relaxado com a altitude mais baixa. Beba bastante água na noite anterior ao tour.

Valeu o desvio?

Sem qualificações, sim. Quatro dias para Arequipa e Colca acrescentaram aproximadamente S/1.200 ao meu orçamento total de viagem (transporte, acomodação, comida, passeios, entradas) — cerca de USD 315 — o que é um investimento razoável pelo que se obtém. O guia Cusco vs Arequipa argumenta que as duas cidades se complementam em vez de competir, e eu concordaria.

O itinerário do grand tour de duas semanas pelo sul do Peru mostra como estruturar uma viagem que inclua adequadamente Arequipa, Colca, Puno/Titicaca e Cusco — que é o circuito completo e, na minha opinião, a forma mais completa de entender o sul do Peru.

O que cortaria se o tempo fosse realmente limitado: o segundo dia em Arequipa (dá para ver Santa Catalina e a praça principal num dia longo) e ficar com a opção de um dia para o Colca a partir de Arequipa (parte às 3h, volta às 20h, cobre Cruz del Condor) em vez do pernoite. Perderia alguma profundidade em troca de eficiência no cronograma. Mas se você tem tempo, não corte nada.